Por que pragas que causam surtos em Eucalipto não causam o mesmo dano em seus hospedeiros de origem?
Aluno(a):Anderson Mathias Holtz
Orientador : Prof. Angelo Pallini Filho

RESUMO

O Brasil abriga uma diversidade de espécies de plantas, incluindo as Myrtaceae (goiabeira, guabirobeira, etc.), que abrigam inúmeras espécies de insetos, que aparentemente sobrevivem nestes hospedeiros sem apresentarem surtos populacionais. Junto ao incremento da eucaliptocultura, no território nacional, tem-se observado o crescente número de espécies nativas de insetos que vêm se adaptando ao eucalipto, tais como: Eupseudosoma aberrans e E. involuta (Lep.: Arctiidae), Automerix spp. (Lep.: Saturniidae), Sabulodes caberata e Thyrinteina arnobia (Lep.: Geometridae), entre outras ordens de insetos. Alguns outores salientam que essas espécies de insetos vivem em hospedeiros filogeneticamente próximos dessa essência e são capazes de causar danos consideráveis em reflorestamentos e, os mesmos relatam que mais de 177 espécies de insetos indígenas tem atacado plantios de eucaliptos no Brasil. Então, se estes insetos vieram de plantas nativas, por que ocorre surto em eucalipto, e não em seus hospedeiros de origem, como a goiabeira? As plantas se defendem do ataque de herbívoros através de barreiras físicas e químicas, juntamente com a ação de inimigos naturais, mas isto pode variar de uma espécie de planta para outra, o que justifica o fato de determinadas espécies de plantas serem mais suscetíveis a surtos de insetos do que outras. De maneira geral, as plantas apresentam compostos ou substâncias que podem afetar a biologia, o desenvolvimento e a reprodução dos insetos. Estes compostos caracterizam seu sistema de barreira química constitutiva, uma vez que são encontrados naturalmente nelas. Outros compostos são produzidos somente após a planta ter sofrido ataque (barreira química induzida), além de diversas estruturas encontradas em determinadas partes da planta, como espinhos, pêlos e tecidos rígidos, que evoluiram como meio de defesa contra insetos herbívoros (barreira física). Outra resposta poderia ser a eficácia de inimigos naturais, que pode estar variando de uma espécie de planta para outra, pois estes nessecitam, além de presas e hospedeiro, de certas condições para acasalamento, espécies de plantas artenativas para alimento (pólen e néctar de flores), bem como reconhecimento de odores liberados pela própria planta e/ou pelos próprios insetos herbívoros. Estas alternativas (e outras ainda não pensadas), apesar de especulativas, podem responder o "por que" da "magnifica adaptação" destes insetos em eucalipto e a não ocorrência em surtos em seus hospedeiros de origem.

LITERATURA RECOMENDADA

Agrawal, A. A. 1998. Induced responses to herbivory and increased plant performance. – Science 279: 1201-1202.
Bernays, E. A. & Chapman, R. G. 1994. Host-plant selection by phytophagous insects. Chapman & Hall, New York.
Berryman, A. A. 1996. What causes population cycles of forest Lepidoptera: Trends Ecol. Evol.. 11:28-32.
Sabelis, M. W., Janssen, A., Pallini, A., Venzon, M., Bruin, J., Drukker, B. & Scutareanu, P. 1999. In A. Agrawal, S. Tuzun, E. Bent (Eds): Induced plant defenses against pathogens and herbivores. Am. Phytopath. Soc. Pp 269-296.